Revista Pandora Brasil

"Imagens Espelhadas / Imagens Reflejadas"

Poemas - Edição Nº 100 da Revista Pandora Brasil - Agosto de 2019



Minha amada musa

Jorge Luis Gutiérrez



INDICE DOS POEMAS





                                                                    E ela criou um mundo do qual não posso mais sair...

OH MUSA!

Oh Musa!
Tua beleza será o vento
que me levará longe...
Zarparei tendo em meus lábios
a doçura das uvas.

Irei com o beijo do cais
que despedia aos antigos navegantes .

Oh formosa Musa!
Deixa-me naufragar outra vez em tua nudez,
Deixa-me cantar enquanto afundo,
Deixa-me agradecer enquanto
me converto em poeira de estrelas,
que te amará nos acordes
da paz do teu sorriso...

Momento... encantamento...
o rio sempre muda.
Cada fim é um novo recomeço.

Por isso,
amar é velejar pelo futuro.

Pois se mudam meus amores,
muda meu destino...


A FELICIDADE É NOVA A CADA DIA

A felicidade é nova a cada dia.
As felicidades já passadas se diluem
para que nasçam outras...

Ressurreição dos corpos
(diziam os antigos),
o corpo de ontem
revive sob os raios do sol...

E encontra no caminho
um novo olhar.

Um oceânico romance, leve.
E um beijo que parece breve...


A TARDE COM SEU ENCANTO SENSUAL

A tarde com seu encanto sensual
reescreve os caminhos que os olhares desenharam...
Suas pestanas, amada, são o pão da ousadia luminosa.

A poesia vincula sensualmente
um ósculo com uma inspiração.

Cronos repete jubiloso:
“Ninguém pode dizer amanhã
que esta tarde nunca aconteceu...”


O TEMPO NÃO É DOCE NEM AMARGO

Então ela me disse:
"O tempo não é doce nem amargo,
é a alma que sente os sabores da vida...
O tempo não é cinza nem azul,
são os olhos que refletem
os sentimentos dos dias..."


E eu lhe perguntei:
"Mas, há um tempo generoso?"

E ela respondeu: "Sim, isso sim que há:
é quando dois seres se encontram
num beijo amoroso... e gostoso."


Ó NOITE, MÃE GENEROSA

Ó Noite, mãe generosa,
dá-me asas, mãe dadivosa...

Quero ir aos sonhos
de minha amada musa...
E cultivar um jardim de devaneios
nos contornos do seu corpo...

E deixar que o mestre Sol
nos leve em seus raios
até os mares de Ítaca...


AH! SE A VIDA FOSSE COMO UM LIVRO

Ah! se a vida fosse como um livro
que podemos reescrever continuamente.
E os vocábulos que esculpem as lembranças
fosse vinho que bebemos simplesmente.

Mas uma literária e rebelde primavera
me enfatiza que o amor é incerteza.

E Afrodite sorri delirante,
quando minhas mãos se eternizam em teu corpo.

Fogo por todas as coisas,
tudo é um intercambio do fogo...


SAUDADES É DESEJAR QUE EXISTA NO PRESENTE

Saudades é desejar que exista no presente,
uma alegria que aconteceu num dia ido.

Tristeza é querer que houvesse sido
o que nunca foi em qualquer passado.

Felicidade é amar o que se ama,
quando o amor é a única certeza.

E o sublime?... É um par de olhinhos líricos,
num rosto imbricado de beleza...


COM ÁGUA DE CHUVA

Com água de chuva cultivou
o amor por sua musa amada:
na alma e no corpo.

E dormiu com ela
no húmido inverno...
E sentiu-se leve como o vento.

E se olhou no oceano
de um romance infinito:
Contemplou os desertos
e o silencioso céu...

E notou em seus lábios o carinhoso fogo.
Então foi feliz navegando num beijo...

E sua amada musa entoou
um canto profano
de amor y de tempo.


“NÃO HÁ RETORNOS” ME ENSINARAM OS ANTIGOS

“Não há retornos” me ensinaram os antigos,
porque o rio que passa nunca volta...
Nem retorna um viajante sendo o mesmo.
E uma noite de amor não tem volta...

Nem regressa a luz ao sol radiante,
mas se curva nas curvas das certezas
e vai cintilante de alegria
a espalhar pelas galáxias tua beleza.

E os olhares de amor dançam insolentes,
E o tempo caminha num único sentido;

E a vida agradece o vivido...


NOS INSÓLITOS DEVANEIOS DO DESTINO

Nos insólitos devaneios do destino
o céu cinza virou um lúcido espelho;

E ele viu na fugacidade
das nuvens invernais
aquilo que amou e nunca teve.
E sentiu-se embriagado de vida.

E na trama de um romance
começava a chover...

E as gotas caiam sobre os cabelos
de sua amada musa.

Então se deu conta
que homens felizes
não são voluntários para nenhuma guerra.


A IMAGEM DE UMA ARTÍSTICA GAIVOTA

A imagem de uma artística gaivota,
voando na tarde que findava,
trouxe a imagem de sua amada musa...

Então ele sentiu o sabor
de poesia vivencial na língua,
que recordava ostensivamente
as noites dormidas com sua amada...

“Só eu poderia entender
seus sonhos neste crepúsculo,
sou o único que saberia escutar suas histórias";
pensou de cara ao sol dourado,
que coloria as lembranças
do corpo de sua amada musa,

E uma vasta felicidade iluminou seu rosto.


ENTÃO, OLHANDO O HORIZONTE

Então, olhando o horizonte,
que pincelava multiformes paixões,
ele disse para sua amada musa:

“Aprendi com Homero
que é morrendo que se vive;
E que há coisas que têm que
acabar para viver para sempre.
E com as lágrimas
de Ulisses na Odisseia,
aprendi que nada é mais amado
que aquilo que nunca se viveu".

E comigo aprenderás,
respondeu sua amada musa,
"Que o que o amor faz,
ninguém desfaz".

E ele respondeu:
"Teu olhar que me fascinava
ainda me fascina;
Tuas palavras tem
os aromas e sabores do vinho.
E tua boca o gosto
das uvas do vale...
Amo as distâncias
e os rastros no mar.”

E o sol da beleza se refletiu
nas pupilas de sua amada musa...


SOMOS FOGO... NADA MAIS QUE FOGO

Então sua amada musa
assinalando para sol, lhe disse:
“Somos fogo... nada mais que fogo.
E nos acendemos e nos apagamos
de acordo com as circunstâncias...”

E ele respondeu a sua amada musa:
“Só posso sentir o fogo
do tempo, que tudo devora...
que aviva minha alma,
e inflama em mim o desejo
quando caminho por teus secretos paraísos”.

“Você já sentiu tantas vezes
meu fogo abrasador,
e você sempre foi fogo
em meu impetuoso fogo”,
falou sua amada musa
com voz docemente nostálgica.

“Por isso amo teu atrevido fogo...”
Disse ele fitando seu corpo.

E ela sorriu com o mais belo sorriso
de todos os tempos...

E ele se abraçou a seu corpo
como um náufrago
que encontra uma rocha...

E ela vestiu um vestido de festa,
adornou o cabelo e perfumou sua pele, e lhe disse:
“Agora você terá mais uma vez
meus beijos com sabor de vinho doce,
teu amor se regozijará no Vale dos Prazeres,
e a eternidade aninhará em nossa cama”.


SEREI ESTRANGEIRA

E sua amada musa
tocando-lhe os lábios com os seus, disse:

“Donde você for
eu irei com contigo.
Serei estrangeira nas terras
em que você seja estrangeiro.
O mesmo sol que tocará sua face
tocará a minha.
E o mesmo caminho que estará
frente a seus olhos
estará frente aos meus.
Amarei o que você ama,
e você amará o que eu amo,
e eu amarei que você me ame,
e você amará que eu te ame,
e você me amará e eu amarei amar você”.

E ele respondeu:
“Os deuses tem sido generosos comigo.
E meu cansaço será leve
se você estiver do meu lado.
E as noites não terão
os cristais da tristeza.
Nem terá o alvorecer as cicatrizes
das amadas ausências.
E em meu leito não haverá neve,
nem longos invernos, nem chuva...
Será como nos Campos Elísios!

Pois você é o presente dos deuses.
Você é Kalliste, a mais bela,
a sem igual em formosura
entre todas as que existem...”


MEU CORAÇÃO AMA E SENTE

Então, sua amada musa disse para ele:
“Além das metáforas
meu coração ama e sente...”

Ele perguntou:
“De que mundo você vem?”

E ela respondeu:
“Não sei,
só sei que sou filha dos abecedários,
da ensolarada terra
e do estrelado céu.
Sou a alegria que desejas,
sou o corpo que amas,
sou a sombra do sol das palavras.
A fêmea que erotiza tuas histórias.
Eu sou a liberdade que procuras,
a luz que nunca achaste.
Sou o paraíso que sonhas,
o vinho que te alegra,
a felicidade com forma de mulher”.

Então, ele falou inebriado:
“Deita aqui a meu lado
e derrama o melódico mel
sobre o inesgotável
tempo que transcorre...
Que seremos belos e infinitos
na literária fugacidade dos instantes...”


ENTÃO, SUA AMADA MUSA PERGUNTOU

E sua amada musa perguntou:
“E você, de que mundo vem?".

E ele respondeu:
"Sou filho da terra onde nunca chove,
e da poética do céu azul profundo.
Minha alma é igual aos desertos.

Não sei quem sou.
Só sei que permaneço.

E nas linhas de teu corpo
meus devaneios dançam
os acordes do desejo.

Sou vontade e paixão
que te ama e anela.
Sou o sonho que inventa,
que te sonha e anseia.

Um abraço imanente.
Um oceânico beijo.
Um olhar... Uma espera...

Sou a trama que flui,
o inesperado que chega”.


EU GOSTARIA QUE VIVÊSSEMOS

Então, sua amada musa lhe disse:
“Temos vivido tantos
momentos memoráveis...
Tantos instantes inolvidáveis
ficaram gravados no catálogo das saudades.
Sabores e aromas guardados
no ventre da memória.
Passados e futuros acontecendo
ao mesmo tempo...
Me beija!
E eu quero que nesse beijo você demonstre
toda sua gratidão aos deuses que nos uniram”.

E ele a Beijou.

E os deuses sentiram inveja desse mortal,
que na simplicidade de duas bocas que se unem,
foi o homem mais feliz de todos os tempos...


OLHA COMO EU FIQUEI BONITA

E sua amada musa lhe disse:
“Olha como eu fiquei bonita
depois que a primavera tocou meu corpo”.

E ele lhe respondeu filosoficamente:
“Minha amada musa:
Seus olhos
são a causa eficiente desta primavera,
Seu corpo é a causa formal,
Seu amor é a causa material
E seu sorriso é a causa final...
Você é o motivo da primavera ter chegado.
E a música da vida
que entoam os devaneios da sua alma,
colorem esta terra dadivosa
e fazem florescer até o amado deserto”.

“Olha como fiquei bonita”,
ela simplesmente repetiu...
E rebolou seus filosofantes cílios,
ao ritmo da contingência...


ENTÃO ELE FALOU PARA SUA AMADA MUSA

Então ele falou para sua amada musa:
"Dança comigo a opulência do tempo.
A saudade do paraíso foi-se embora
na primorosa luz de teu corpo que amo.
Vem e me toca,
eu só tenho gratidão por esta hora."

E sua amada musa respondeu:
"Ama-me agora
que ainda tenho na língua
o sabor crepuscular de teus poemas...
Meus lábios, qual frutos do bosque,
te esperam maduros.
O orvalho do amor enfeita meus olhos...
E minha roupa cai como pétalas silvestres."

E eles se amaram...


ENTÃO, NOVAMENTE, ELE FALOU PARA SUA AMADA MUSA

Então, novamente, ele falou para sua amada musa:
"Gosto de olhar em seu rosto
os detalhes revelados e intuídos...
A perfeição e convicção de cada linha,
expandida no horizonte de seus olhos.
A beleza e a certeza dos brilhos e das cores,
que parecem revelar e atrelar teus sentimentos...
A linha de suas sobrancelhas
abraçando a circunferência
de uma felicidade gráfica...
A cachoeira de seus cabelos,
metáfora da poesia divina e da noite primordial...”

E sua amada musa sorriu
completamente ensolarada...


DE SUAS ASAS RESTAVAM

Então, ela lembrou da época
em que de suas asas restavam
somente cotos doloridos e esfarrapados.
Que se estremeciam quando ela lembrava
e queriam voltar a brotar.
Y sentia como uma incitação,
uma triste comichão...

Naquela época
voar era só um antigo sonho...

Mas agora suas asas
se expandem vigorosas pelo céu...

E ela voa o infinito voo do amor...


AMAR-TE COMO ANTES

Amar-te como antes
Porém sem um antes
Só amar-te

Amar-te
Simplesmente
No presente
Sem ausências
Nem carências
Amar-te alegremente
Abraçadamente
Beijadamente
Desavergonhadamente


O TEMPO TUDO DESCOLA

O tempo tudo descola.
Descola a sola dos sapatos.
Descola o papel das paredes.
Descola os adesivos dos vidros.
Descola os revestimentos cerâmicos...

Descola o outono do inverno.
Descola o amor do sofrimento.
Descola o olhar e descola os versos.
Descola as lembranças da saudade.
Descola a vida do melancólico tédio.
Descola a mentira da verdade...

Ah, o maravilhoso tempo!


O TEMPO NUNCA RETROCEDE

O tempo nunca retrocede.
O tempo nada restitui.
O tempo nunca escreve o nunca escrito.
Nem vive o que nunca foi vivido.

Nunca diz o que nunca foi falado.
Nem apaga as palavras sem sentido.
Não sonha os sonhos não sonhados.
Nem torna verdadeiro o fingido.
Nem aconchega os amores nunca amados.
Não beija as bocas não beijadas.
Nem toca os corpos não tocados.
Nem se detém para esperar que decidamos.

Nem outorga o que um dia foi negado.
Nem autentica as falsidades do trilhado.
Nem revive felicidades pisoteadas.
Nem consola as tristezas do passado.

O tempo só transcorre silencioso
e nele se vão indo nossos anos...


O AMOR TEM A GEOMETRIA

O amor tem a geometria
de uma curva de mulher,
flutuando sensual
nos mares do efêmero.

O amor é o silogismo
de um corpo feminino,
banhando-se impudico
nas águas do outono.

É uma alegria que navega
no transcurso dos dias.

O amor é uma inferência do desejo,
é um sorriso apodítico
e um olhar propositivo.
É eternizar você
na quotidianidade chuvosa.

Romances que inventamos,
beijos que pensamos.
Fragmentos de amor
que sempre lembramos.

O amor é o erótico vinho
que um dia imaginamos.


O VENTO NA NOITE SOPRA ENQUANTO CHOVE

O vento na noite sopra enquanto chove.
Nada evoca, nada diz, só se move...

É a odisseia do amor que
se sonha eterno, sendo breve.
Ou a palavra carinhosa
que se dize quando chove.


POR QUE SERÁ QUE MEU CORPO

Então ele falou para sua amada Musa:
"Por que será que meu corpo
só quer te querer.
E a minha alma só lembra
de nunca te esquecer..."

E sua amada musa respondeu:
"Minha alma e meu corpo
gostam de amanhecer
nas profundezas de teu abraço,
na leveza do inverno,
alegremente despenteada.
Embriagada de sol;
e garoando sobre meu cabelo
a poeira dos sonhos..."


AMADA, NUNCA PODEREMOS VIVER

Ele disse:
"Amada, nunca poderemos viver
nem um instante do passado,
nem um instante do futuro.
Quando o passado estava passando
não era passado mas presente;
E quando o futuro chegue
não será futuro mas presente.
Vivemos sempre
no encantador e eterno hoje..."

Ela disse:
"Amado, vivemos a todo momento
no embriagador presente.
Que sempre corre para longe.
Foge para a memória,
para os amores alegres,
para as fotografias,
para esconder-se nas palavras
que um dia voltarão
transformadas em poesias..."

Por isso ela não falava do passado
e ele não falava do futuro.
Dançavam e se amavam
em dias sem tempo.
E conjugavam, em tempos atuais,
todas as formas do verbo existir...
aqui e agora.


O TEMPO NÃO VAI PASSANDO

O tempo não está passando
Não tem para onde passar
O tempo não tem tempo

Sou eu que deve andar


NADA ESTÁ FORA DO TEMPO

Nada está fora do tempo.
Foi no tempo que te conheci.
Foi no tempo que te amei...
Sou grato ao tempo que vivi...


O TEMPO NÃO PODE RETORNAR

O tempo não pode retornar;
Só há em nós o ato livre de voltar.

Não há tempos tristes;
É a alma que imagina que
A felicidade estava no que nunca tivemos.

Não há tempos saudosos;
Somos nós que amamos o perdido...

Mas, há tempos chuvosos?
Sim... isso sim que há.

E também há,
quando penso que estou no tempo,
a imperiosa e impetuosa vontade de te amar.

Mas, no fundo tudo não passa
de uma infinita vontade de sempre te beijar...


A VIDA ENCANTA

Então ele falou para sua amada musa:
A vida encanta,
O sol sorri,
A alma dança...

E ela respondeu:
Meu coração transita,
Meu ser se agita,
Minha pele canta...


UM DIA VOCÊ VAI DESCOBRIR

Então ele falou para sua amada musa
“Um dia você vai descobrir
que era mentira que o sol
podia derreter suas asas.
Que suas asas não são de cera
e que você poderia voar
bem alto se você quisesse”

E ela abriu os braços
e simulou um voo
que terminou num abraço...


QUANDO ESTOU SOMBRIO E NOSTÁLGICO

Então ele falou para sua amada musa:
"Quando estou sombrio e nostálgico
eu não sinto vontades de te ver...
pois não quero compartilhar
contigo minha tristeza.
Mas quando estou feliz
e minha alma se sente
plena de alegria e regozijo...
ah!, então eu gostaria
tanto poder ver-te...”


O PIOR QUE PODE ACONTECER

Então ele disse para ela:

“O pior que pode acontecer
é que as coisas não aconteçam
enquanto estão acontecendo...”

E ela ficou em silêncio, perplexa,
sem saber que responder...


O TEMPO NADA DESTRÓI

O tempo nada destrói
e nada apaga.

O tempo não tem mãos,
nem borracha.

O tempo nada pensa,
nem sabe que existimos.

Somos nós que vamos
apagando as lembranças...


EU SÓ QUERO TEMPO

Eu só quero tempo.
Mas não o tempo dos astros,
nem das esferas da
circularidade perfeita.
Nem o tempo que e
a imagem móvel do eterno.
Nem o tempo que nasceu
com a geração do cosmos.
Nem o tempo que é a parte
mensurável das mudanças.
Nem o tempo das almas que
numeram a quantidade de movimento
de acordo com um antes e um depois.

Eu quero o tempo cotidiano
do agora e da contingencia.
Da luz dos oceanos,
e do vento do mar em meu rosto.

Tempo para amar você...

Um tempo de uvas e romanceiras.
Um tempo farto de sua beleza e harmonia.
Um tempo com a cor do trigo.
De figos maduros, caricias e alegrias.
De pistaches, maças e peras.
E uma ânfora de vinho na mesa.
Um tempo de beijos com
sabor de seus lábios.
Tempo com a ternura de seu corpo...
Um tempo com você
deitada em meus braços.
Tempo para eternizar você num poema.

Eu só quero tempo nesta terra
para estar a seu lado,
sob este sol e na paz de seu existir.

E quando naufrago em seus olhos
só peço a doce misericórdia do tempo.


ENTÃO, FINALMENTE

Então, finalmente,
aconteceu o momento
em que o autor parou de narrar.



Curta Revista Pandora no FACEBOOK