Revista Pandora Brasil

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Fundada em 2007

ISSN 2175-3318

A Revista Pandora Brasil é uma revista para divulgar criações literárias e textos acadêmicos de professores e alunos.
Um abraço e boa leitura.

Jorge Luis Gutiérrez
Editor Revista Pandora Brasil








  • Jorge Luis Gutiérrez
    Página Literária
    Poesías y Cuentos



  • Fundada em 2007 - ISSN 2175-3318
    Revista de humanidades e de criatividade filosófica e literária

    "Escravidão re-cantada. Dossiê: a escravidão, o abolicionismo e os seus desdobramentos"

    Edição Nº 101 - Setembro de 2019


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    Apresentação


    O tema desse número 101 da Revista Pandora Brasil – Revista de humanidades e de criatividade filosófica e literária – é a escravidão, o abolicionismo e os seus desdobramentos. A temática desenvolvida doravante é resultado do projeto “Poesia, Prosa e seus Tempos Literários”, cujo objetivo primário foi a realização de uma releitura crítica da escravidão negra no Brasil, dos movimentos abolicionistas e dos desafios postos para a comunidade negra e não negra na contemporaneidade.

    O Projeto “Poesia, Prosa e seus Tempos Literários” surgiu com o objetivo de viabilizar a participação do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães de Itaetê-BA, território de identidade da Chapada Diamantina, na 4ª edição da Feira Literária de Mucugê – FLIGÊ, ocorrida entre os dias 15 e 18 do mês de agosto do ano corrente, cujo homenageado foi o poeta baiano Castro Alves (1847-1871); bem como associar a produção resultante deste grupo de trabalho com os projetos Estruturantes da Secretária de Educação do Estado da Bahia e com o Projeto Pedagógico Raízes da Nossa Terra pelo supracitado colégio cuja culminância ocorrerá no dia 20 de novembro.

    Com o propósito de agregar produções literárias poéticas e prosaicas realizadas pelos alunos do ensino médio do Colégio Estadual Antônio Carlos, este número da revista Pandora Brasil se apresenta como uma vitrine para este projeto que se desenvolveu de forma paulatina e sistemática. O que agora aparece como resultado elaborado - a partir da abordagem de temas de interesse social conexos à problemática central –, são os desdobramentos do trabalho desenvolvido durante as oficinas temáticas, realizadas semanalmente e centradas na reflexão sobre a escravidão negra no Brasil e nos seus desdobramentos. Para tanto, pensando em criar as condições necessárias para viabilizar uma participação mais efetivas e orgânica dos alunos na Feira Literária de Mucugê, adotamos como referência primária a vida e a obra de Castro Alves, bem como suas substanciosas contribuições para o debate em torno do movimento abolicionista no Brasil objetivando refletir sobre o contexto histórico, as relações econômicas, políticas e sociais de então, e seus desdobramentos para a sociedade contemporânea.

    Castro Alves foi considerado por Afrânio Peixoto “o maior poeta brasileiro, lírico e épico”. Homenagear Castro Alves justifica-se por encontrar em sua obra, além do apelo de sua escrita de vida breve e longa existência, um ponto de contato com as diásporas dos navios negreiros da atualidade e as distopias contemporâneas que continuam revelando o objetivo da literatura: ferramenta mais que necessária para interpretar a realidade social. “Com Castro Alves, a literatura é ato de amorosidade e de denuncia social”, explica a professora Ester Figueiredo, responsável pela curadoria da Fligê.

    No dia 13 de maio de 2019 completou-se 131 anos da assinatura da Lei Áurea; pressionada não somente pelos interesses da comunidade internacional, sobretudo pela Inglaterra, mas também pela dimensão que ganhou o movimento abolicionista brasileiro, bem como as diversas formas de resistência à escravidão e de luta pela abolição protagonizada pela própria comunidade negra brasileira, a princesa Isabel assinou a famigerada Lei, não pela convicção de como era desumano manter homens e mulheres na condição de escravos, mas, principalmente para atender a necessidade de criar um mercado consumidor interno forte o suficiente para consumir os produtos derivados da importação estrangeira.

    131 anos depois, o que poderíamos dizer sobre as consequências da abolição da escravatura? Será que os negros estão efetivamente incluídos na sociedade brasileira, será que dispõem dos mesmos direitos, das condições e dos tratamentos, que os demais? Será que são tratados com a mesma dignidade que os não negros? Quais os caminhos para superar o racismo latente na sociedade brasileira? Tais questionamentos hoje, 131 anos depois, tornam-se mais importantes que nunca, dado que a perspectiva para a comunidade negra no Brasil, com o avanço deliberado e inescrupuloso das políticas eugenistas, racistas e contrárias às minorias sociais, agravadas no atual cenário político nacional, são estarrecedoras!

    Castro Alves lutou, como bom abolicionista que era com todas as armas de que dispunha, pelo fim da escravidão, da desigualdade social, pela construção de uma sociedade efetivamente melhor e mais justa, afinal, como disse Marx (2010, p. 151) “a arma da crítica não pode, é claro, substituir a crítica da arma, o poder material tem de ser derrubado pelo poder material, mas a teoria também se torna força material quando se apodera das massas”. São questões como essas que o grupo de trabalho se debruçou, pensando, sobretudo inspirados pelo baiano Castro Alves, que a arte também tem a finalidade política. Seja em verso ou em prosa, os problemas sociais que assolam a humanidade nunca passaram despercebidos aos olhos dos bons poetas e escritores. Afinal, não seria exatamente esse engajamento que os tornam excepcionais? Nesse sentido, esse grupo de trabalho tem um papel a cumprir, a saber: se sensibilizar o suficiente para capitalizar as belezas e as mazelas sociais inerentes à condição de ser negro nesta sociedade brasileira, apresentando poética ou cronicamente, de forma clássica ou contemporânea, realista, romântica, ou moderna, os resultados desse processo reflexivo.

    A partir das letras, O Projeto “Poesia, Prosa e seus Tempos Literários”, envolve diversas linguagens artísticas, como o cinema, a música, as artes plásticas e o teatro, em consonância com o tema central, a atualidade, as práticas e as vivências sociais, imersas ou não no mundo da leitura. O que segue é um resumo do que foi produzido pelos alunos que, a partir do presente número da Pandora, será socializado com outros leitores.

    Concebido com vistas a promover o exercício da leitura e a produção textual, o projeto contribui para a apropriação do conhecimento, de modo que possibilite o desenvolvimento das lutas com e pelas palavras, em seus sentidos histórico e social, assim como para a ampliação das percepções sobre o cotidiano e o mundo, com vistas à formação do novo homem. Nesses tempos de democratização social e literária a possibilidade de criação de novos horizontes é uma etapa importante no processo formativo dos alunos e, a exemplo do legado de Castro Alves, uma forma de resistência.

    Um abraço e boa leitura,

    Alexandre de Jesus Santos
    Ivone Queiroz Barros
    Contato: alexandre_magno2@hotmail.com

    Capa:
    Imagens da capa: obra intitulada “Elo”, uma das telas de Silvio Jessé, pintado
    especialmente para a FLIGÊ, 2019.
    Técnica Aquarela.
    Fotografia: Sílvio Jessé.
    Arte da Capa: Erick Reis (designer).



    Sumário