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Revista Pandora Brasil - ISSN 2175-3318
Revista de humanidades e de criatividade filosófica e literária



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OLHANDO O PORTO DE VERACRUZ,
PENSO NO PORTO DE VALPARAÍSO


(Jorge Luis Gutiérrez)


Olhando o Porto de Veracruz
penso no porto de Valparaíso.
Valparaíso distante
e exatamente ao outro lado:
Veracruz ao Atlântico norte,
Valparaíso ao Pacífico sul.
Veracruz tropical, quente o ano todo,
Valparaíso com rosto de oceano frio.

Dizem os poetas que Valparaíso
é menos colorido
e um tanto sombrio
com seus morros,
suas ruas e escadas.
Com seus infinitos elevadores,
seu nevoeiro, marulhadas
e horizonte cinza.

E dizem que Veracruz
é cheia de matizes,
radiante, cálida
e plena de luz.

Para mim, na orla
do porto de Veracruz,
parece-me que os
dois portos têm
alegrias e tristezas.
Ambos riem e choram,
encantam-se e se abrumam:
dependendo da hora do dia,
das circunstâncias,
e do que esteja acontecendo.
Do que amamos
e do que queremos esquecer.
Do presente e do ausente.
De quem esteja a nosso lado
e de quem está separado.

Porque é o coração
que vai sobre os mares,
e diferentes amores
constroem diferentes portos.

Dizem também que os morros
de Valparaíso têm
um ar de inclemência no Inverno,
uma espécie de saudade inata...
Diferente de Veracruz
que se mostra
diáfana e transparente.

Bom, devo insistir
que é questão
de pontos de vista,
pois a festa e a aflição
dependem de aspectos intangíveis,
impalpáveis, subjetivos...
e de como foram aninhando
os portos na alma.
E de circunstâncias que podem
ir mudando junto com
nossos sentimentos:
pois o desejo e a paixão
fazem transmutar os portos.

Valparaíso e Veracruz
têm uma mesma cena:
a dos barcos que se vão,
perdendo-se nos confins.
Abandonando no água um rastro
que se apaga pouco a pouco.
E deixando devagar
nossa mirada vazia.

Os dois portos
têm felicidades
intensas e singelas.
E o amor que circula
por este novelesco porto
é o mesmo que ronda
pelo romântico porto de Valparaíso:
Poesia ostentosa da vida,
metáfora nua do humano.

E Veracruz brilha generosa
e Valparaíso está longínquo,
ao outro lado do continente,
caindo-se para o fim do mundo...
lá longe.... inacessível...
além dos Andes...
além do Deserto de Atacama...
além de tudo...

E o vento de Veracruz
sobrecarrega uma oferenda
exuberante e carinhosa.

Enquanto a chuva cai idílica
sobre o imperecível
porto de Valparaíso.


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Poema publicado no livro de Jorge Luis Gutiérrez
"Inundada de luz, poemas de amor e filosofia episódica"
São Paulo, Editora Baraúna, 2010.





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