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O TEMPO, CONCEPÇÕES FILOSÓFICAS MEDIEVAIS

Haroldo Charles

Aluno do Curso de Filosofia da Universidade Mackenzie


Introdução

Tento entender e expor as concepções da ciência para o postulado tempo, com base principalmente na filosofia antiga e medieval com Aristóteles e Agostinho de Hipona. As questões do tempo sempre fora preocupação da filosofia e o tema é tão apaixonante e essencial que outras ciências buscam solução para o problema. Tomo como ponto de partida as aulas do curso de filosofia da faculdade Mackenzie, ministrada pelo professor Jorge e o livro O Ser-Tempo de André Comte-Sponville, também indicado pelo professor.

Tempo é uma abstração angustiante, o que é o tempo? É finito, infinito é possível fazer viagens no tempo, porque parece ir somente numa direção? Essas indagações permeiam a filosofia deste os primórdios, Parmênides e Heráclito já discorriam sobre o assunto. Como Agostinho é objetivo, e essencial quando fala do tempo começamos por ele. A dificuldade do tema é tão grande que surge a celebre frase Agostiniana; se ninguém me perguntar eu sei o que é, mas se me perguntam e eu quero responder já não sei. Para Santo Agostinho a noção de tempo está na consciência uma vez que o passado não existe porque já passou e o futuro não existe porque ainda não chegou o que existe é um eterno presente.(1) Ora se passado e futuro não existem quem garante que o presente seja tempo, pode ser mais um estado psicológico. Para Agostinho o tempo não é uma sucessão de instantes, mas um contínuo, indizível e só é possível estudar-lo a perspectiva metafísica. Agostinho diz que o tempo é um eterno presente classifica-o como presente do presente, presente do passado e presente do futuro, onde percepção, memória e expectativa correspondem a cada estado de espírito onde isto se realiza. Para uma analise critica das concepções filosóficas de Santo Agostinho para o tempo o problema reside em tomar como base o aspecto psicológico para estudar o tema, ele não considera o aspecto ontológico, o tempo em si mesmo, o tempo da natureza do mundo com observa André Comte-Sponville.

O que é o tempo então? O que é esse instante que estamos, será um ser ou um não-ser? Como em Aristóteles, a resposta dela é: “que primeiro o tempo não existe absolutamente, ou que tenha uma existência imperfeita e obscura, de um lado, ele foi e não é mais; de outro, ele vai ser e ainda não é; então o que é composto de não-seres parece não fazer parte da substância ou do ser(2) . Agostinho parece ter formulado suas definições a partir de Aristóteles, o fato é nenhum dos dois diz exatamente o que é tempo. Aristóteles investiga o tempo aceitando certa conexão entre tempo e movimento, diz ele “o tempo parece ser, sobretudo um movimento e um tipo de mudança”(3) . Mas a diferença observada pelos comentaristas de Aristóteles entre tempo e movimento é que o movimento ou a mudança só poder ser pensado em relação a algo a um individuo, no entanto o tempo está em toda parte, mesmo que deixe de existir os indivíduos é provável que o tempo continue a existir. O fato é que em Aristóteles o tempo serve para medir o movimento ou o movimento para medir o tempo, estar mais para sobre medidas e para que nos serve, e não o que realmente é.

Então o que é o tempo? É um ser ou um não-ser? É um número do movimento? Ele depende da alma ou não para existir? Essas questões são suficientemente respondíveis, mas fica para um próximo trabalho.

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NOTAS

(1)Santo Agostinho, Confissões, XI, 14.
(2)André Comte-sponville, O ser-tempo, 24.
(3)Fernando Rey Puentes, Os sentidos do tempo em Aristóteles, 130.




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